Em 2025, a COP30 chega à Amazônia. Não a Amazônia de slides coloridos, slogans vazios e promessas genéricas. A Amazônia real! Aquela onde convivem riqueza natural, pobreza extrema, inovação, conflitos, povos tradicionais, mineração, biodiversidade, bioeconomia e um mosaico de interesses que raramente cabem na mesma mesa.
E é exatamente por isso que a COP30 tem que ser diferente.
Chega de encontros onde líderes “reafirmam compromissos” enquanto indicadores climáticos gritam o contrário. Chega de narrativas que colocam a sustentabilidade como um adereço reputacional. Já passou da hora do assunto ser tratado como estratégia econômica central.
A COP30 precisa marcar a virada. E aqui estão, sem filtros, as metas que espero ver encaminhadas. E, lógico, cobradas!
1. Planos climáticos atualizados que finalmente conversem com a realidade
A NDC brasileira e as de muitos países ainda vivem no mundo da fantasia. Na COP30, não dá para aceitar modelos climáticos que ignoram o aumento real de emissões, a expansão de combustíveis fósseis ou metas “dependentes de verbos no gerúndio”.
Quero ver:
- Compromissos mensuráveis, verificáveis e auditáveis (sem o termo “intenção de reduzir”).
- Governança climática com métricas claras de responsabilização.
- E, principalmente, cronogramas que não dependam de milagres tecnológicos.
2. Financiamento climático que saia da promessa para o balanço
Não existe transição sem dinheiro. Ponto.
A meta dos US$ 100 bilhões anuais, prometida há mais de uma década, virou piada. Para a COP30, a cobrança deve ser objetiva:
- Escalonar o financiamento climático para trilhões, não bilhões.
- Criar instrumentos acessíveis para países em desenvolvimento (sem a burocracia que inviabiliza o acesso).
- Remunerar países que preservam florestas, e não apenas os que poluem.
A Amazônia vale muito mais do que discursos emocionados.
3. Amazônia como protagonista econômico e não peça de decoração diplomática
A COP na Amazônia não pode virar cenário de fundo para fotos oficiais.
Minha expectativa? Que a COP30 apresente modelos econômicos reais para a região:
- Escalar bioindústrias.
- Acelerar hubs de inovação sustentável.
- Integrar pesquisa científica aos negócios sustentáveis.
- Fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.
- Colocar populações locais no centro da decisão e não como figurantes.
Sem isso, continuaremos romantizando a floresta enquanto empurramos sua população para atividades de subsistência e ilegalidade.
4. Transição energética sem maquiagem
Transição energética não é trocar termo “combustível fóssil” por um outro diferente.
Espero ver discussões maduras sobre:
- Futuro do gás natural.
- Papel real do carvão na matriz global.
- Escalabilidade das renováveis.
- Hidrogênio (verde de verdade, não verde de marketing).
- Investimentos massivos em eficiência energética , o “primo esquecido” da mitigação.
A COP30 precisa deixar claro que transição não combina com ambiguidade.
5. Adaptação e resiliência tratando as pessoas como prioridade
Eventos climáticos extremos já não são tendência, são REALIDADE. Cidades, empresas, infraestrutura e sistemas de saúde não estão preparados.
Quero ver:
- Planos robustos de adaptação e regeneração para regiões vulneráveis.
- Integração urgente de mudanças climáticas no planejamento urbano.
- Sistemas de alerta e resposta rápida.
- Ffinanciamento dedicado para proteger vidas, não apenas ativos.
Mitigação é essencial. Mas sem adaptação e regeneração, continuamos repetindo o erro básico: ignorar o impacto humano.
6. Empresas assumindo seu papel — sem esperar por regulação
O setor privado precisa parar de agir como espectador da COP.
Na COP30, espero:
- Estratégias climáticas alinhadas ao IFRS S1/S2 e ESRS.
- Métricas claras e quantificáveis de impactos e riscos (ameaças e oportunidades).
- Inventários robustos (inclusive Escopo 3).
- Metas baseadas em ciência.
- Capacidade de execução e não relatórios “para inglês ver”.
A transição climática vai separar as empresas que gerenciam das que improvisam.
A verdade é simples: a COP30 será histórica se formos capazes de exigir mais
Mais transparência. Mais ambição. Mais coragem para enfrentar interesses instalados. Menos narrativa vazia.
A COP30 é no Brasil, mas o que acontecer aqui repercutirá no mundo inteiro. E, como profissional que vive a sustentabilidade de forma estratégica (não romântica), estarei observando cada passo: o discurso, a execução e, principalmente, os resultados.
Se é para fazer história, que seja com consistência.