Christina Barbosa, PhD, PMP 

24 de novembro de 2025

 

A COP30 nasceu como a “COP da implementação”. Depois de Paris, esperava-se que Belém fosse o ponto de virada. Menos promessas, mais entregas. Mas, como mostrou o balanço recente, o caminho ficou longe de linear. Houve avanços importantes, retrocessos previsíveis e um grande sinal amarelo para quem governa e para quem lidera negócios.

No fim, o clima não espera. E o mercado também não.

O que avançou e que precisa ser reforçado até 2025?

Belém trouxe elementos positivos que não podem ser perdidos:

Transição justa ganhou forma. Agora existe um direcionamento mais concreto para reduzir desigualdades e colocar indígenas, quilombolas, trabalhadores, comunidades, mulheres, jovens e grupos historicamente excluídos no centro da agenda climática.

Sociedade civil mais presente e vocal. A participação ampliada mostrou que nenhuma agenda climática se sustenta sem cidadania ativa, pressão social e diálogo.

Oceanos, florestas e integridade da informação foram tratados com mais seriedade. Houve discussões relevantes sobre proteção marinha, combate à desinformação e mecanismos para garantir credibilidade científica e governança.

Esses pontos representam sementes reais. Precisam ser cuidadas para germinar em compromissos sólidos na COP30 em Belém.

O que não avançou e que segue pressionando governos e empresas?

Alguns temas permaneceram parados, mesmo sendo centrais para a urgência climática:

Combustíveis fósseis.Ainda sem tomada de decisão robusta.

Desmatamento.Sem metas vinculantes ou mecanismos claros de implementação.

Transparência e governança.Fragilidades persistem e isso compromete credibilidade.

NDCs insuficientes. Os compromissos nacionais continuam abaixo da ambição necessária.

O desafio não parece técnico. Parece político.

E, enquanto isso, o mercado avança.

A parte mais provocativa é esta: enquanto governos discutem ritmo e alcance, o mercado está se movendo de forma mais rápida e estratégica.

A presença recente de uma delegação expressiva dos Estados Unidos no Brasil demonstra isso. Investidores, representantes públicos e atores do setor privado vieram buscar cooperação e oportunidades. Esse movimento reforça que:

• O futuro econômico já está conectado à transição climática.

• Empresas exigem clareza e governança.

• Países que liderarem agora atraem investimentos.

• Quem esperar, perde espaço.

O setor privado não está aguardando declarações finais. Ele já está respondendo ao que o mundo pede.

A pergunta incômoda: quem realmente está liderando?

Governos caminham no ritmo das negociações. O mercado caminha no ritmo da competitividade. A sociedade caminha no ritmo da urgência.

A responsabilidade não está apenas nos diplomatas e negociadores da COP30. Ela está nos CEOs, CFOs, investidores, diretores de sustentabilidade, gestores públicos e líderes comunitários. Todos já lidam com riscos reais e oportunidades diretas da transição climática.

As empresas que entendem isso estão reposicionando estratégia, medindo impactos, criando mecanismos de adaptação e buscando transparência real. Isso deixou de ser tendência ESG e passou a ser padrão de mercado.

Conclusão: Belém precisa ser lembrada como estratégica e não apenas simbólica!

A COP30 será um marco importante, mas apenas se transformarmos avanços parciais em implementação consistente. Isso exige governos mais ambiciosos, negócios mais responsáveis, sociedade civil mais presente, cooperação internacional fortalecida e mecanismos confiáveis de transparência.

Estamos diante de uma escolha: esperar a política decidir ou liderar desde já. Quem compreender isso será protagonista da virada climática, social e econômica desta década.

Na sua visão, quem está puxando a transição climática na prática: governos ou empresas? E como estão se preparando?

E se a sua organização quer sair da inércia pós-COP e entrar na rota da implementação, a By Conn apoia essa jornada com estratégia, governança, gestão de riscos e integração prática do ESG ao negócio, criando valor.

O momento de liderar é agora!