Christina Barbosa, PhD, PMP
A COP30 nasceu como a “COP da implementação”. Depois de Paris, esperava-se que Belém fosse o ponto de virada. Menos promessas, mais entregas. Mas, como mostrou o balanço recente, o caminho ficou longe de linear. Houve avanços importantes, retrocessos previsíveis e um grande sinal amarelo para quem governa e para quem lidera negócios.
No fim, o clima não espera. E o mercado também não.
O que avançou e que precisa ser reforçado até 2025?
Belém trouxe elementos positivos que não podem ser perdidos:
✔ Transição justa ganhou forma. Agora existe um direcionamento mais concreto para reduzir desigualdades e colocar indígenas, quilombolas, trabalhadores, comunidades, mulheres, jovens e grupos historicamente excluídos no centro da agenda climática.
✔ Sociedade civil mais presente e vocal. A participação ampliada mostrou que nenhuma agenda climática se sustenta sem cidadania ativa, pressão social e diálogo.
✔ Oceanos, florestas e integridade da informação foram tratados com mais seriedade. Houve discussões relevantes sobre proteção marinha, combate à desinformação e mecanismos para garantir credibilidade científica e governança.
Esses pontos representam sementes reais. Precisam ser cuidadas para germinar em compromissos sólidos na COP30 em Belém.
O que não avançou e que segue pressionando governos e empresas?
Alguns temas permaneceram parados, mesmo sendo centrais para a urgência climática:
✘ Combustíveis fósseis.Ainda sem tomada de decisão robusta.
✘ Desmatamento.Sem metas vinculantes ou mecanismos claros de implementação.
✘ Transparência e governança.Fragilidades persistem e isso compromete credibilidade.
✘ NDCs insuficientes. Os compromissos nacionais continuam abaixo da ambição necessária.
O desafio não parece técnico. Parece político.
E, enquanto isso, o mercado avança.
A parte mais provocativa é esta: enquanto governos discutem ritmo e alcance, o mercado está se movendo de forma mais rápida e estratégica.
A presença recente de uma delegação expressiva dos Estados Unidos no Brasil demonstra isso. Investidores, representantes públicos e atores do setor privado vieram buscar cooperação e oportunidades. Esse movimento reforça que:
• O futuro econômico já está conectado à transição climática.
• Empresas exigem clareza e governança.
• Países que liderarem agora atraem investimentos.
• Quem esperar, perde espaço.
O setor privado não está aguardando declarações finais. Ele já está respondendo ao que o mundo pede.
A pergunta incômoda: quem realmente está liderando?
Governos caminham no ritmo das negociações. O mercado caminha no ritmo da competitividade. A sociedade caminha no ritmo da urgência.
A responsabilidade não está apenas nos diplomatas e negociadores da COP30. Ela está nos CEOs, CFOs, investidores, diretores de sustentabilidade, gestores públicos e líderes comunitários. Todos já lidam com riscos reais e oportunidades diretas da transição climática.
As empresas que entendem isso estão reposicionando estratégia, medindo impactos, criando mecanismos de adaptação e buscando transparência real. Isso deixou de ser tendência ESG e passou a ser padrão de mercado.
Conclusão: Belém precisa ser lembrada como estratégica e não apenas simbólica!
A COP30 será um marco importante, mas apenas se transformarmos avanços parciais em implementação consistente. Isso exige governos mais ambiciosos, negócios mais responsáveis, sociedade civil mais presente, cooperação internacional fortalecida e mecanismos confiáveis de transparência.
Estamos diante de uma escolha: esperar a política decidir ou liderar desde já. Quem compreender isso será protagonista da virada climática, social e econômica desta década.
Na sua visão, quem está puxando a transição climática na prática: governos ou empresas? E como estão se preparando?
E se a sua organização quer sair da inércia pós-COP e entrar na rota da implementação, a By Conn apoia essa jornada com estratégia, governança, gestão de riscos e integração prática do ESG ao negócio, criando valor.
O momento de liderar é agora!